
Analfabetismo cai no Brasil, mas ainda é maior que no Zimbábue
André Monteiro – Folha UOL Educação – 16/11/2011
A taxa de analfabetismo entre a população com 15 anos ou mais diminuiu 4 pontos percentuais entre 2000 e 2010, segundo os Indicadores Sociais Municipais do Censo Demográfico 2010, divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quarta-feira. O número caiu de 13,6% para 9,6%.
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Metade mais pobre da população fica com 17,7% da renda
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Na área urbana, o indicador passou de 10,2% para 7,3% da população. Já nas áreas rurais, ele teve uma melhora de 29,8% para 23,2%.
Nos Estados, a menor taxa de analfabetismo foi encontrada no Distrito Federal (3,5%) e a maior em Alagoas (24,3%).
As maiores quedas entre a população com 15 anos ou mais se deram no Norte (de 16,3% em 2000 para 11,2% em 2010) e no Nordeste (de 26,2% para 19,1%), mas também ocorreram reduções nas regiões Sul (de 7,7% para 5,1%), Sudeste (de 8,1% para 5,4%) e Centro-Oeste (de 10,8% para 7,2%).
Apesar do avanço, o índice de analfabetismo no Brasil ainda está acima do de muitos países. De acordo com dados de 2009 do Banco Mundial, a taxa de analfabetismo era de 8,14% no Zimbábue, país africano com PIB per capita igual a 5% do brasileiro.
A média mundial, segundo as estatísticas, foi de 16,32%. A menor taxa foi encontrada em Cuba (0,17%) e a maior no Chade (66,39%).
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RENDA
Entre as crianças brasileiras de 10 a 14 anos, 3,9% ainda não estavam alfabetizadas em 2010, o que representa cerca de 671 mil crianças. Em 2000, o número deste contingente era de 1,2 milhão de crianças, ou 7,3% do total.
A pesquisa apurou que as crianças que vivem em famílias pobres demoram mais para serem alfabetizadas.
Considerando as crianças de 10 ou mais, o analfabetismo atinge 17,5% das que vivem em famílias com renda per capita de até um quarto do salário mínimo, 12,2% nas que vivem com renda de um quarto até meio salário, 10% nas de meio a um salário, e 3,5% nas de um a dois salários.
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Nas faixas seguintes, a taxa de analfabetismo prosseguiu em queda, passando de 1,2%, na classe de 2 a 3 salários mínimos, a 0,3%, na de 5 salários mínimos ou mais.
Na faixa entre 15 e 19 anos, a taxa de analfabetismo atingiu 2,2% em 2010, mostrando uma redução em relação a 2000, quando era de 5%.
Por outro lado, no contingente de pessoas de 65 anos ou mais, este indicador ainda é elevado, alcançando 29,4% da população nesta faixa de idade em 2010.
CENSO
Participaram do Censo 2010 cerca de 190 mil recenseadores, que visitaram os mais de 5.500 municípios brasileiros. Ao todo, foram entrevistados representantes de 67,5 milhões de domicílios no período de 1º de agosto a 31 de outubro –outras 899 mil residências foram consideradas fechadas.
Os primeiros dados da pesquisa, que identificou uma população de 190 milhões de pessoas, foram revelados em abril deste ano. Nesta quarta-feira, o IBGE divulgou dados consolidados e novos recortes nas estatísticas.
Em 10 anos, taxa de analfabetismo cai 27,2% no Rio Grande do Norte
Parnamirim é o município com a menor taxa de analfabetismo. Entre um Censo e outro, houve redução de 42% na taxa, de 13,8% para 8,0%. A segunda menor taxa é a de Natal (8,3%) e a maior a de João Dias (38,9%), município do Oeste Potiguar que também tem a maior taxa de extrema pobreza do RN. Os 8,3% de analfabetismo em Parnamirim representam menos da metade da média estadual. Por faixa etária, o analfabetismo na terceira cidade mais populosa do Estado é de 2,3% entre 15 e 24 anos; de 7,3% para a faixa entre 24 e 59 anos e de 27,6% para quem tem 60 anos ou mais.
A redução só não foi maior por causa das dificuldades que os municípios têm para alfabetizar a população de faixa etária mais elevada. Enquanto a diminuição do analfabetismo de Parnamirim foi de 62,9% entre 15 e 24 anos, na população mais idosa a queda foi de apenas 35,8%. Fatores como doença, trabalho, obrigação para cuidar da família são obstáculos para os programas de alfabetização de adultos.
Para a professora Raimunda Basílio, ex-secretaria de Educação de Parnamirim, os números do IBGE premiam o esforço feito nos últimos dois anos nesse sentido pela prefeitura local. Alfabetizamos 8 mil crianças, entre 2009 e 2010, através de um programa criado especificamente com esta finalidade e ampliamos a estrutura do EJA (Educação de Jovens e Adultos.”
Os dados, divulgados na manhã desta quarta-feira apontam João Dias, Espírito Santo, Serra de São Bento, Lagoa Salgada, Lagoa de Pedras, Boa Saúde, Jundiá, Olho D’água dos Borges e Japi como os municípios de maior taxa de analfabetismo do Rio Grande do Norte. E, em pelo menos dois municípios o analfabetismo aumentou. Em Martins, a taxa que era de 18,2% subiu para 19,2%. Em São Bento do Norte passou de 30,6% para 32,4%.

Analfabetismo cai a passos lentos
O Rio Grande do Norte está entre os cinco estados com maior taxa de analfabetismo do País. Dados do Censo 2010, divulgados ontem, mostram que o Estado avançou nos últimos dez anos – reduzindo em 26,5% a taxa de analfabetismo entre pessoas acima de dez anos – mas ainda não conseguiu sair da lista dos piores em alfabetização. No Brasil, onde 9% das pessoas acima de 10 anos não sabiam ler e escrever em 2010, a taxa caiu 29,6%. Para Aldemir Freire, chefe da unidade potiguar do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o dado reflete a falta de investimento na área. Segundo ele, o RN levará, em média, 30 anos para atingir o percentual de analfabetos do País: 9%. “Para isso, precisará alfabetizar as crianças e os idosos”, explica Aldemir. Em 2010, 17,4% das pessoas acima de dez anos que residiam no RN não sabiam ler e escrever. O estado fica na frente apenas de Alagoas, Piauí, Paraíba e Maranhão.
Com maior acesso à escola, à leitura e à internet, a população entre 15 e 24 anos está mais letrada. Nesta faixa etária,a taxa média de analfabetismo é de apenas 5 por cento.A diretora do Ide também defende a ampliação do número de vagas na rede pública de ensino. A Secretaria Municipal de Educação estima que cerca de 4 mil crianças estejam fora da sala de aula só em Natal. O número é maior que a população total de Paraú, município localizado a 285 km da capital potiguar. Segundo a secretaria, não há vagas suficientes. Só nas proximidades do loteamento Algemar, em Pajuçara, zona Norte, 140 crianças estão fora da escola. Evandro Alves é um deles. O garoto tem dois anos e seis meses e deveria estar matriculado num dos centros de educação infantil do bairro. Luciane Maria de Lima Caetano, 26, mãe de Evandro, não consegue vaga. A solução, diz ela, é esperar ele completar cinco anos e colocar numa escola.
A Prefeitura de Natal está construindo um centro infantil no loteamento Augemar, a poucos metros da casa de Luciane. A obra, entretanto, está parada há quase dois anos. Segundo moradores, a prefeitura não pagou a construtora. “Meu filho podia estar na creche hoje”, diz. Wanderson, 12, seu outro filho, também está fora da escola. A família mudou-se em abril e Luciane não conseguiu vaga para o garoto. “Ele já perdeu quase um ano de aula. Isso é muito ruim. Ele já repetiu a série duas vezes. Vai atrasar ainda mais”, afirma a dona de casa.
Segundo Cláudia, ‘é inadmissível’ manter 4 mil crianças fora da escola. “Se existisse uma lei de responsabilidade educacional, os gestores do estado estariam presos. É inadmissível manter 4 mil crianças fora da escola, principalmente numa capital, por falta de vaga”. Problemas como esses, na visão da educadora, atrasam a alfabetização das crianças e emperram o desenvolvimento do País.
Embora ostente a segunda menor taxa de analfabetismo entre as pessoas de 15 anos do estado, Natal destaca-se no Nordeste como a capital com o segundo maior número de crianças de 10 anos não alfabetizadas. Segundo o censo, 9,1% das crianças de dez anos que residiam em Natal em 2010 não sabiam ler e escrever. O percentual é maior apenas em Maceió, Alagoas.
João Dias tem uma das piores taxas do Brasil
Com uma taxa que chega a 38,9% da população, o município de João Dias, na região Alto Oeste, é que tem os piores índice do Rio Grande do Norte, segundo os indicadores de Educação do Censo 2010, divulgados ontem pelo IBGE. No caso da população idosa, isto é, com mais de 60 anos, o analfabetismo é de 66,5%. João Dias integra o grupo de 1.304 municípios com taxa de analfabetismo da população acima de 15 anos, igual ou superior a 25%, juntamente com Monte Santo (BA), com 35,6%, e São Brás (AL), com 34,7%; Santa Helena de Minas (31,7%) e tantos outros. João Dias já ostenta outro indicador negativo: o de município norte-rio-grandense com maior taxa de pobreza extrema.
O Censo-2010 mostra que existe uma relação entre analfabetismo e população da área rural. João Dias tem pouco mais de 2.600 habitantes, e 55,17% moram na área rural. Espírito Santo, com taxa de 38,4%, tem 10.475, dos quais 52% moram no campo. O problema de João Dias é que, até 2010, quando o censo foi feito, não funcionava o programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA).
O EJA, por exemplo, é um dos responsáveis pela redução da taxa de analfabetismo de Parnamirim, o município com melhores indicadores tanto no geral (taxa de 7,6%), como na população acima de 15 anos de idade (8,0%). Entre um Censo e outro, houve redução de 42% na taxa. A segunda menor taxa é a de Natal (8,3%), a terceira de Mossoró, a quarta de Carnaúba dos Dantas e a quinta de São Gonçalo do Amarante.
De acordo com o IBGE, os 8,3% de analfabetismo em Parnamirim representam menos da metade da média estadual. Por faixa etária, o analfabetismo na terceira cidade mais populosa do Estado é de 2,3% entre 15 e 24 anos; de 7,3% para a faixa entre 24 e 59 anos e de 27,6% para quem tem 60 anos ou mais.
A redução só não foi maior por causa das dificuldades que os municípios têm para alfabetizar a população de faixa etária mais elevada. Enquanto a diminuição do analfabetismo de Parnamirim foi de 62,9% entre 15 e 24 anos, na população mais idosa a queda foi de 35,8%. Fatores como doença, trabalho, obrigação para cuidar da família são obstáculos para alfabetização de adultos.
Analfabetismo atinge 28% no Nordeste
Rio (ABr) – Embora a taxa de analfabetismo na população com 15 anos ou mais de idade tenha caído de 13,63% em 2000 para 9,6% em 2010 na média do país, nas menores cidades do Nordeste, com até 50 mil habitantes, ela ainda atinge 28% das pessoas nessa faixa etária. Além disso, nesses municípios a proporção de idosos que não sabiam ler e escrever chegava a 60%. Segundo dados dos Indicadores Sociais Municipais do Censo Demográfico 2010, no caso do analfabetismo de jovens, a situação da região Nordeste também é preocupante. Enquanto na média do país a proporção de adolescentes e jovens que não sabiam ler e escrever atingia 2,5%, no Nordeste era quase o dobro (4,9%), com pouco mais de 500 mil pessoas nessa faixa etária. Na Região Sul o percentual era de 1,1% e na Sudeste, de 1,5%.
Emanuel Amaral
Cláudia Santa Rosa defende capacitação de professores
Entre jovens e adultos, o levantamento revela que em 1.304 municípios a taxa de analfabetismo era igual ou superior a 25%. Entre eles, 32 não contavam com o programa Educação de Jovens e Adultos (EJA). A maioria está localizada no Nordeste, tendo sido a pior situação observada em João Dias (RN), onde 38,9% das pessoas com 15 anos ou mais não sabem ler e escrever. Em seguida, aparecem Monte Santo (BA), com 35,6%, e São Brás (AL), com 34,7%. No Norte, três municípios aparecem na lista, todos em Tocantins: Ponte Alta do Bom Jesus (25,2%), Mateiros (26,4%) e Centenário (28,6%). O Sudeste concentrava quatro deles, localizados em Minas Gerais. São eles: Miravânia (26,0%), Frei Gaspar (28,5%), Bertópolis (29,6%) e Santa Helena de Minas (31,7%).
O levantamento também evidenciou as diferenças em termos de alfabetização nos resultados segundo cor ou raça. Enquanto entre os brancos, o percentual de analfabetos para pessoas com 15 anos ou mais era de 5,9%, entre os pretos atingiu 14,4% e entre os pardos, 13%.
Taxa de analfabetismo entre a população de 15 a 24 anos
RN 5,0
São José do Seridó 1,9
Jardim do Seridó 2,2
Parnamirim 2,3
Santana do Seridó 2,4
Lucrécia 2,7
Natal 2,7
Água Nova 2,8
Caicó 3,0
Acari 3,1
Itaú 3,2
Mossoró 3,3
São João do Sabugi 3,4
Currais Novos 3,5
Parelhas 3,5
Ipueira 3,6
Carnaúba dos Dantas 3,6
Areia Branca 3,7
Riacho de Santana 3,8
Equador 4,0
Doutor Severiano 4,0
Severiano Melo 4,2
Encanto 4,2
Pau dos Ferros 4,3
Portalegre 4,4
Jaçanã 4,4
Ouro Branco 4,5
Felipe Guerra 4,5
Apodi 4,5
Baía Formosa 4,5
Viçosa 4,5
Ruy Barbosa 4,7
Cruzeta 4,7
Tenente Laurentino Cruz 4,7
Bodó 4,8
Tibau 4,8
São Gonçalo 4,8
Martins 4,8
Rafael Godeiro 4,8
Alto do Rodrigues 4,9
Cerro Corá 4,9
Campo Redondo 5,0
Timbaúba dos Batistas 5,0
Pilões 5,0
Lajes 5,1
Coronel Ezequiel 5,2
Lajes Pintadas 5,2
Pedra Preta 5,3
Extremoz 5,3
Frutuoso Gomes 5,3
Macau 5,3
Taboleiro Grande 5,4
Porto do Mangue 5,4
São Bento do Trairi 5,5
Florânia 5,5
Tangará 5,5
Assu 5,6
Umarizal 5,7
Canguaretama 5,7
Major Sales 5,7
Serra Negra do Norte 5,8
Maxaranguape 5,8
José da Penha 5,9
Santa Cruz 5,9
São Miguel 5,9
Serrinha 5,9
São Paulo do Potengi 6,0
Santa Maria 6,1
Jardim de Piranhas 6,1
Caiçara Rio do Vento 6,1
Passagem 6,1
Carnaubais 6,2
Riacho da Cruz 6,2
Barcelona 6,2
Jardim de Angicos 6,3
Caraúbas 6,3
Goianinha 6,3
Várzea 6,3
São Fernando 6,3
Almino Afonso 6,4



Na edição de ontem do matutino “Diário de Natal”, foi encartado o “DN Educação”, que teve como tema: “Educadoras do RN”, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher. Fiquei honrada, juntamente com as colegas do Instituto de Desenvolvimento da Educação (IDE), por termos sido focalizadas na pág. 13. A publicação enaltece a grandiosidade da obra da mulher educadora. Parabéns para toda equipe do DN Educação, pela sensibilidade.