O X da questão!

5 de Fevereiro, 2012

Em matéria deste domingo, 5 de fevereiro de 2012, assinada pelo repórter Paulo Nascimento, o jornal O Poti ( Clique em três links para ler a reportagem completa Aqui AquiAqui ) aborda o tema do custo da educação nas redes de ensino público e privado. Abaixo compartilho a parte do texto que tive o privilégio de colaborar enquanto fonte.


Gestão da rede pública é o X da questão

A grande estrutura envolvida no funcionamento da educação pública trava o andamento do ensino, em todo Brasil. A opinião é da educadora e presidente do Instituto de Desenvolvimento da Educação (IDE) Cláudia Santa Rosa, que defende uma descentralização, para oxigenar o ensino público. “Sofremos com uma má gestão. A verba da educação mantém uma grande estrutura. E o que passa de dinheiro por toda essa estrutura nem sempre termina em investimento”, explica ela. Uma melhor divisão entre as administrações, segundo ela, seria um caminho a ser seguido. “Defendo que a descentralização seja feita. Temos um bom exemplo, que é o ensino federal, em que a administração é local e as verbas vêm direto para instituição. O ensino público também pode copiar algumas coisas do setor privado, como o planejamento e a gestão, principalmente, pois faltam pontos como avaliação e monitoramento no setor público. Falta cobrança e penalização para quem não faz o serviço”, diz Cláudia, que também é coordenadora pedagógica de uma escola da rede pública.

A educadora classifica que o modelo de gestão das escolas está “matando” o ensino público. “Estamos assistindo uma morte gradativa das escolas. Estão subtraindo dos jovens o direito de conhecimento. Fico triste em ver que não conseguimos fazer funcionar o ensino público”, afirma. A lógica de apequenar o ensino público, para Cláudia, não vai fazê-lo evoluir. “Falta planejar, estar junto das escolas. Não podemos perder de vista a humanização do ensino. Vejo colegas que trabalham no público e no privado, mas fazem um trabalho diferente. São inúmeras as contradições dentro da rede pública que precisam ser corrigidas”, destaca a educadora. Ela ainda expõe a falta de cuidado com a alfabetização, que é tratado, segundo ela, com desprezo pelo poder público. “Na rede particular, os melhores e mais preparados professores são destacados para a alfabetização. O investimento e a cobrança são enormes para que a criança esteja lendo. Enquanto que na rede pública, qualquer professor entra na alfabetização para dar aula. Muitas vezes colocam até os mais novos” justifica.

Educação e Leitura

3 de Fevereiro, 2012

Deu na coluna Jornal de WM, por Woden Madruga, Tribuna do Norte, 03/02/2012

Má educação

Repercute na mídia a pesquisa da Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro feita com 4 mil estudantes do ensino médio daquele Estado. Ficou provado que o jovem carioca lê  pouco: 51% dos alunos entrevistados responderam que leram até três livros nos últimos anos; 11% leram apenas um e 14% não leram nenhum livro nos últimos cinco anos. A pesquisa, registrada na coluna de ontem, foi realizada com os alunos da rede pública. Imagino uma pesquisa como esta aplicada na rede do ensino público do Rio Grande do Norte. De Natal a Lagoa de Velhos passando por Mossoró e terreiros afins. Imagine o placar da goleada.

Para a diretora executiva do Movimento Todos Pela Educação, Priscila Cruz, ouvida pelo jornal o Globo, o resultado da pesquisa carioca é alarmante. No seu entendimento, a leitura do texto literário, no ensino médio, é muito importante nesta fase de sua formação:

- Como esses estudantes cumpriram essa etapa da vida acadêmica sem ler um livro sequer? A literatura faz parte do ensino médio. Esse tipo de aluno nunca vai conseguir passar no Enem, por exemplo. Somente por meio da leitura é que descobrimos as múltiplas faces da linguagem.

A professora Priscila diz mais:

- É preciso saber como o professor atua. Faz parte do trabalho dele incentivar a leitura. O custo dos livros não pode ser desculpa para isso. Hoje temos bibliotecas públicas e na web também é possível fazer download de várias obras. O hábito da leitura deve fazer parte da rotina dos estudantes.

E quando ficou sabendo que a pesquisa revelou que 78% dos estudantes entrevistados têm computador com acesso à internet, a diretora concluiu:

- Era muito melhor dar livros para esses jovens do que um computador. A internet deve ser usada como uma ferramenta de acesso para a leitura.

De Cláudia Santa Rosa: Concordo plenamente com o comentário do jornalista Woden Madruga. A pesquisa realizada no Estado do Rio de Janeiro se replicada em alguns estados, especialmente no RN, somente constataria um drama maior. A nossa luta, através do Instituto de Desenvolvimento da Educação (IDE), e de tantos outros para que o RN compreenda a importância de ter a sua política pública de promoção da leitura literária, não tem sido nada fácil. O jornalista não faz ideia! Trabalhamos com as escolas, justamente pelo potencial que elas têm de formar leitores desde a mais tenra idade. Estamos certas de que só teremos jovens do ensino médio apaixonados por livros se desde pequeninos forem “fisgados” por boas histórias e se essa paixão for regada ao longo dos anos. Não adianta ficarmos a lamentar se aos 15, 16, 17 anos eles não gostam de ler.Recomendo leitura do “Manifesto por um Rio Grande do Norte de Leitores” (Clique Aqui), cujo termo de adesão foi assinado pela governadora Rosalba Ciarlini, em 2010, durante a campanha. Também foi assinado por mais de 10.000 pessoas.

A escola de Rodrigues

3 de Fevereiro, 2012

Há quase dois anos guardo esse texto, esperando o momento oportuno para publicá-lo. Observo que ele continua atualíssimo, apesar do flagrante agravamento do tema central. Pois bem! Era começo da tarde do dia 15 de abril de 2010, Rodrigues, 16 anos, recebeu um golpe de faca, no abdômen, dentro de uma das escolas de Assu, interior do Estado do Rio Grande do Norte. O autor? Um colega de 15 anos. O motivo? O noticiário assim descreveu: “tão banal que não vale à pena nem citar, para evitar que outros queiram ou tentem fazer o mesmo”. Provavelmente faltou o que Nilson José Machado, professor da Universidade de São Paulo, afirma numa publicação do ano de 2003: “a eclosão da violência é a falência da palavra. A descrença na força da palavra induz o recurso à força física.”

Casos como o de Rodrigues e de proporções bem maiores, com dezenas de vítimas, infelizmente, têm sido cada vez mais comuns, tanto dentro das escolas quanto nos seus arredores. O que antes assistíamos, com perplexidade, pela televisão, geralmente casos de chacinas ocorridas em universidades de outros países, nos tempos atuais batem às nossas portas e nos impõem medo e vergonha. O que temos feito para além de nos indignarmos? O que esperamos que aconteça para tomarmos providências mais definitivas? Não custa lembrarmos que a violência tem raízes num quadro de ausência de limites, de abandono, situações de preconceitos explicitados, faltas, omissões, negligência, injustiças sociais ou até mesmo de doenças e perturbações mentais. Indagamos: O que poderia ser evitado?

No debate sobre a violência, nas instituições educacionais, verificamos não somente a falência da palavra, da força do diálogo para a negociação e o entendimento, mas também do respeito ou obediência que outrora era dispensado ao professor e à escola, enquanto espécies de “sagrados”. Por outro lado, constatamos fragilidades da família e uma flagrante falta de prioridade e competência do Estado brasileiro para educar, cuidar e proteger as suas crianças e jovens, oferecendo-lhes escola de qualidade, cultura, lazer, esporte, condições dignas de crescerem saudáveis, equilibrados emocionalmente e preparados, enquanto cidadãos e cidadãs, sujeitos de direito.

É inegável: nunca se discursou tanto em favor da Educação e da emergência de políticas públicas para a juventude. Em nome das crianças e dos jovens, governadores (as) e prefeitos (as), bem como parlamentares reivindicam recursos, negociam convênios, aqui e acolá, na mesma proporção que tais recursos quase sempre são mal geridos ou por vezes desviados para fins questionáveis. Ainda não é consensual que investir em Educação é pensar num projeto de nação sustentável; é vislumbrar desenvolvimento econômico, atenuando desigualdades sociais; é, finalmente, promover equidade.

Penso numa escola diferente para Rodrigues e o seu colega agressor. Temos essa dívida para com eles e as futuras gerações. Sonho com o poder público e toda população do rico e próspero Brasil, investindo num projeto educacional de impacto, que promova a educação integral e a verdadeira inclusão social de crianças e jovens do nosso país. Quase tudo já foi pensado, é dispensável reinventar a roda, basta priorizar, a exemplo do que fez Cingapura, país colonizado pela Inglaterra até meados do século passado, atualmente exemplo mundial de avanços em todas as áreas a partir dos investimentos em educação. Lee Sing Kong, diretor do Instituto Nacional de Educação de Cingapura, em entrevista para a última edição da revista Nova Escola, ensina: “acreditamos que não vamos errar se trabalharmos com habilidades fundamentais de linguagem e cálculo e, é claro, com uma base sólida de valores, como integridade, honestidade, esforço e desejo de aprender.” De tão óbvio parece não ser mesmo nenhuma novidade. A diferença é que em Cingapura a materialidade das ações há tempo ocupou o lugar dos discursos. Lá eles entenderam que o capital humano era a maior riqueza e que para terem escolas de qualidade era necessário investir em educadores de “altíssimo nível”.

No Brasil, a ausência de equidade social encontra lugar nas precariedades dos investimentos e de gestão da Educação, aliados ao medíocre modelo hegemônico de escola que já deu provas que não funciona. Pagamos caro pelo analfabetismo e analfabetismo funcional da população, pelas ineficiências dos sistemas de ensino, pela ignorância política da maioria. Até quando aceitaremos apaticamente?

Cláudia Santa Rosa, educadora, escreve a convite do Instituto de Desenvolvimento da Educação (IDE), que colabora no jornal Diário de Natal às sextas-feiras.

Disponível na edição impressa do Diário de Natal de hoje e on line pelo portal http://www.diariodenatal.com.br/2012/02/03/opiniao.php

Direito à leitura

2 de Fevereiro, 2012
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Para além de indignar-se a profa. Carla Alves defende mediação de leitura


Nas últimas semanas a professora Carla Alves, da Escola Estadual Gal. Newton Braga de Faria, tem compartilhado questionamentos, reflexões e ações da sua comunidade escolar, objetivando qualificar o trabalho de formação de leitores naquela instituição. Espera-se que a iniciativa da escola inspire outras com dificuldades semelhantes. A seguir as postagens de Carla e na sequência o comentários de Cláudia Santa Rosa, coordenadora do projeto “Rede Potiguar de Escolas Leitoras”:

O que fazer, além de  indignar-se???!!!

De que adianta ter uma lei de incentivo à leitura literária nas escolas estaduais, se o governo do RN, através da SEEC e Dired, não a cumpre???? Mais uma “lei de enfeite”???

Os profissionais com a graduação exigida na Lei, formados e capacitados para executar os trabalhos de promoção da leitura literária nas bibliotecas e salas de leitura das escolas públicas estaduais do RN estão sendo impedidos de assumirem essa função pedagógica em nome de uma recomendação que diz que somente os readaptados podem ocupar lugar nas bibliotecas, mesmo que estes últimos nunca tenham manifestado interesse e/ou afinidade no trabalho com literatura, nem apresentado projetos na área em questão.

Em nome de uma organização burocrática que, na prática e pedagogicamente falando, não funciona no cotidiano escolar, quem perde nessa história???

Os alunos, claro!!! Sempre!!!

Isso é revoltante!!!

Por favor, aqueles que se interessam por uma escola pública de qualidade, leiam o texto da Lei Nº 9.169 de 15 de janeiro de 2009, na íntegra, através do link abaixo, e fiquem à vontade para tecer comentários a respeito.
http://www.gabinetecivil.rn.gov.br/acess/pdf/lo9.169.pdf

Ainda:

Bom dia, Cláudia Santa Rosa! Sexta-feira, dia 27, aqui no Colégio Alte. Newton Braga de Faria estaremos reunindo o Conselho Escolar para discutir a Lei 9.169, bem como decidir sobre o profissional que ficará lotado na biblioteca/sala de leitura, de acordo com os critérios descritos na Lei. Caso seja decidido por um profissional não readaptado, mas como já foi dito, dentro dos critérios da Lei, a ata da assembleia do Conselho, juntamente com a planilha de inclusão desse profissional na Biblioteca, serão enviadas para a Dired e Setor de Recursos Humanos da SEEC/RN, para que se cumpra. Acreditamos que esse é o caminho! Não é possível que a Secretaria de Educação continue a ignorar uma lei que só beneficia a comunidade escolar! Manteremos contato. Abraço.

Boa tarde, Cláudia! A reunião do Conselho Escolar do Colégio Newton Braga de Faria foi ontem, dia 30/01, às 14h. A Lei 9.169 foi lida e discutida! No final, todos o membros foram favoráveis a que eu ficasse lotada na biblioteca/sala de leitura, mesmo não sendo readaptada, mas com formação pedagógica (graduada em Letras com habilitação em Língua Portuguesa, Inglesa, e respectivas Literaturas)para tal função e histórico de formação na área de leitura e formação de leitores. portanto, totalmente acobertada pela Lei citada. A luta por esse direito acabou de começar!!! Vamos até as últimas instâncias para garantir a qualidade do funcionamento da biblioteca/Sala de leitura!!! A comunidade escolar do Newton Braga de Faria merece!Abraços.

De Cláudia Santa Rosa: De parabéns a comunidade da Escola Estadual Gal Newton Braga. Esperamos que inspire outras instituições. A sala de leitura e/ou biblioteca não é mais e nem menos importante do que as salas de aula. O trabalho desenvolvido nos espaços movidos por projetos de formação de leitores, é completamente de docência e requer um professor qualificado, leitor, vivo, dinâmico e pronto para trabalhar com o público infantil, juvenil e adulto. O Rio Grande do Norte dispõe de condições para não retardar os avanços na sua Educação. Importante não esquecermos que a governadora Rosalba Ciarlini assinou Termo de Adesão ao “Manifesto por um RN de Leitores” e o texto das orelhas do livro “A leitura literária na escola pública potiguar”.

Fonte: www.escolasleitoras.org.br

RN profissionalizado?

31 de Janeiro, 2012

Em matéria do jornal Tribuna do Norte, edição de 7 de maio de 2010, disponível no site da Secretaria de Estado da Educação e da Cultura do Rio Grande do Norte o governo anunciou a assinatura, até um mês depois, da ordem de serviço para a construção de dez Centros de Ensino Profissionalizante no Estado. O tema mereceu destaque na primeira edição daquele ano do projeto “Motores do Desenvolvimento do Rio Grande do Norte”, uma realização da TRIBUNA DO NORTE, Fiern, Fecomércio/RN e RG Salamanca Investimentos, com patrocínio do Governo do Estado, Assembléia Legislativa, Câmara Municipal e UnP.

A informação do então secretário de educação, prof. Otávio Augusto de Araújo Tavares, era de que oito centros já estavam licitados e os outros dois em fase final. Além disso, os 55 milhões necessários estavam disponíveis, no âmbito do projeto “Brasil Profissionalizado”, uma parceria do Ministério da Educação com o Governo do Estado, através da Secretaria Estadual de Educação e Cultura (SEEC).

Segundo a reportagem, os dez centros de ensino profissionalizantes da rede estadual seriam construídos em Mossoró, Alto do Rodrigues, dois em Natal, dois em São Gonçalo do Amarante, Tibau, Parnamirim, Extremoz e Ceará-Mirim.  Dizia ainda: “A previsão é de que até o final do ano [2010] todos os dez centros estejam com as obras concluídas.”

O secretário, na mesma matéria, informou que além da construção dos dez centros, o projeto “Brasil Profissionalizado” também contemplaria a reforma e ampliação de 74 escolas da rede estadual  - na ocasião já estavam todas definidas - que passariam a oferecer, além do ensino fundamental e médio, cursos profissionalizantes.

Amanhã já será fevereiro de 2012 e convém indagarmos: quantos centros de educação profissionalizante já foram entregues e estão em atividades, servindo aos jovens do nosso Estado? Quantas escolas já foram reformadas e ampliadas? Quantas estão servindo ao projeto Brasil Profissionalizado”?

Na sua edição de ontem O Jornal de Hoje publica ampla matéria intitulada “Tradicionais escolas públicas do Estado atraem número cada vez menor de alunos”. Chama a nossa atenção a informação de que a continuação da construção de dez centros profissionalizantes e reforma das 57 (não mais 74) escolas para o desenvolvimento do projeto “Brasil Profissionalizado” estão entre as metas e ações da Secretaria para 2012. Indago: será que são os mesmos 10 centros que seriam concluídos até o final de 2010? Seriam as mesmas escolas?

Enquanto isso, o Ceará, nosso Estado vizinho, já dispõe de 77 unidades em atividades, entre centros e escolas adaptadas. Somente em 2011 foram inauguradas 18 unidades e tantas outras estão programadas. Clique Aqui e confira as 77 unidades, inclusive com os respectivos endereços, entre outros dados.

Em relação ao Rio Grande do Norte, é bom ressaltar que não discuto as boas ou más intenções desse ou daquele gestor, desse ou daquele governo, mas, indiscutivelmente, o Estado deve sim satisfações à população que paga caro para dispor de gestores competentes.

Palestra no Alto…

29 de Janeiro, 2012

Com muito prazer farei a palestra de abertura da 23ª Jornada Pedagógica do Alto do Rodrigues-RN. O tema: “Ampliando o tempo e o modo de aprender além da sala de aula”.

pic.twitter.com/UhhrKhzF

De parabéns a competente secretária, professora Raquel Vianna e equipe, pelo zelo na condução da Educação no município.

Cláudia Santa Rosa e Raquel Vianna premiadas em 2010 - Solenidade em Afonso Bezerra

Cláudia Santa Rosa e Raquel Vianna premiadas em 2010 - Solenidade em Afonso Bezerra

Convido você a visitar o blog da Secretaria de Educação, Cultura e Esportes: http://educarinformes.blogspot.com/

“E a minha educação?”

28 de Janeiro, 2012

Compartilho neste espaço o ótimo artigo “E a minha educação?, do professor Frederico Horie Silva, publicado no jornal Diário de Natal, edição de 27/01/2012.

Depois de anos de espera por um concurso público que suprisse a demanda de professores na rede estadual de educação do Rio Grande do Norte, finalmente ocorreu, em dezembro, uma seleção para educadores no Estado. Entretanto, com base nas palavras da própria secretaria e da promotoria de educação, não há como viabilizar a entrada dos concursados até o início do ano letivo, previsto para primeiro de março. Os novos professores estarão em sala de aula somente em maio, coincidindo com o final do 1º bimestre e início do 2º bimestre – de acordo com o calendário escolar elaborado pela secretaria. O concurso, há anos prometido pelo governo do Estado, foi realizado às pressas, no prazo final. Não há desculpa plausível para o ocorrido. A entrada tardia destes professores compromete o planejamento das escolas para o ano todo, o que é lamentável e desanimador.

Os professores irão assumir as turmas com as atividades já em andamento, não terão tempo para conhecer a escola,se familiarizarem com o projeto político pedagógico (PPP) e com os colegas de trabalho. Com sorte, os professores temporários fecharão as notas e/ou os relatórios do 1º bimestre; aplicando as provas, corrigindo-as e preenchendo as cadernetas. O professor que está chegando lidará com algo que não viveu, com as notas de alunos que nunca viu, com um planejamento do 1º bimestre que não foi o seu, com alunos com dificuldades e especificidades que ele não sabe quais são. Um absurdo, um desrespeito com os professores, com os pais e, sobretudo, com os alunos.

A atual situação da educação no Rio Grande do Norte é fruto de um descaso histórico, evidenciado pela descontinuidade em sua gestão – foram dez gestores nos oito anos do governo passado (!) e, se entendemos a educação como um processo, é coerente que resultados mais sólidos tendam a aparecer a médio e longo prazo. Entretanto, há um fator que precisa ser considerado imediatamente, e por ele algo precisa ser feito: o aluno em idade escolar. Para ele, a melhoria futura da educação não transforma sua realidade, são necessárias ações no presente. Em março deste ano, o aluno estará na escola, esteja ela pronta ou não. A escola pra ele é hoje, seu tempo escolar é este.

Na edição de 15 de janeiro, o jornal Diário de Natal destaca a entrevista com a gestora da educação estadual do Rio Grande do Norte, professora Betânia Ramalho, que afirmou que o Governo do Estado não está em dívida com a educação estadual, pois está cumprindo com rigor os 25% determinado na Constituição Federal, e mantido as contrapartidas do transporte e da merenda escolar. Entretanto, como sociedade (poder público, escolas, professores e famílias), estamos longe de oferecer uma educação de qualidade aos nossos alunos.

Nos coloquemos no lugar de um aluno que está matriculado na rede pública de ensino, em uma escola que não faz parte das poucas consideradas modelos do nosso Estado. Este aluno não possui motivação para estudar e, quando da janela de sua casa ele vê um grupo de meninos e meninas indo para uma escola particular do bairro sente-se sortudo, pois ainda estamos no final janeiro e início de fevereiro e suas aulas só começam em março. Sobra mais tempo de férias, para assistir televisão, para acordar tarde e “descansar a cabeça”. Quando ele estiver iniciando o ano letivo, aqueles alunos que passaram por sua janela já estarão fazendo as primeiras provas, os primeiros trabalhos escolares, ou seja, o ano letivo nem começou e ele já está sendo prejudicado.

Existe a possibilidade de que mesmos os professores temporários não absorvam toda a demanda das escolas, e este aluno comece o ano sem o quadro completo de professores. Existe o risco de que os educadores, por inexperiência, não sejam capazes de conduzir situações favoráveis ao seu aprendizado. Mesmo o melhor e mais bem intencionado professor terá dificuldades em elaborar um planejamento adequado, levando em consideração o PPP da escola e as necessidades/especificidades dos alunos, uma vez que seu trabalho não terá continuidade durante o ano.

Situações como esta vem se repetindo há anos, tanto na rede estadual como nas redes municipais, e é provável que em 2012 o quadro seja similar. Se levarmos em consideração apenas as escolas estaduais, há atualmente 310 mil alunos matriculados que precisam hoje de uma boa escola, e eles não podem esperar.

Frederico Horie Silva - fredericohorie@yahoo.com.br - , educador e biólogo, escreve a convite do Instituto de Desenvolvimento da Educação (IDE), que colabora com artigos no jornal Diário de Natal às sextas-feiras.

Palestra no Contemporâneo

25 de Janeiro, 2012

Na manhã de hoje realizei palestra no Complexo Educacional Contemporâneo durante a programação da 2ª etapa da Semana do Conhecimento, atividade de preparação para o ano letivo de 2012.

Abordei o tema do eixo temático – Respeito e responsabilidade: essenciais para o bem-estar social - escolhido pela escola para orientar os seus projetos ao longo do ano.

Destaco a concentração do auditório e a participação com comentários que enriqueceram o debate, revelando o alto grau de profissionalismo e competência da equipe.

Seguem alguns registros:

Cláudia Santa Rosa

Cláudia Santa Rosa

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Cláudia Santa Rosa e profa. Elis

Cláudia Santa Rosa e profa. Elis

Atividade Final

Adeus, Bartolomeu!

16 de Janeiro, 2012

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Morreu na madrugada desta segunda-feira (16), em Belo Horizonte, o escritor Bartolomeu Campos de Queirós, de 66 anos. Ele estava internado no Hospital Felício Rocho, na região centro-sul da cidade, segundo informações do hospital.

Autor de mais de 40 livros para crianças e jovens, educador, crítico de arte, museógrafo e ensaísta, seu primeiro livro, “O peixe e o pássaro”, foi publicado em 1974. Em maio do ano passado, o escritor lançou “Vermelho Amargo”, que revisita a própria infância.

Campos de Queirós morreu em decorrência de uma insuficiência renal, que o obrigava a realizar hemodiálises regularmente, de acordo com os porta-vozes do hospital.

O autor recebeu inúmeros prêmios, entre eles o Jabuti, maior condecoração literária do país, e o prêmio Ibero-americano SM de Literatura Infantil e Juvenil de 2008. Bartolomeu foi, além disso, finalista em 2010 do prestigioso prêmio internacional Hans Christian Andersen de Literatura Infantil.

O prêmio Ibero-americano SM reconheceu “a transcendência de sua obra que se manifesta na profundidade dos temas abordados, o respeito pelo leitor, os desafios que teve de enfrentar, seu compromisso com a arte literária sem concessões e o caráter poético e filosófico de sua obra”.

Nascido no município de Papagaios (Minas Gerais), trabalhou em diversos projetos de incentivo à leitura patrocinados pela Biblioteca Nacional e pelo Governo de Minas Gerais. Algumas de suas obras foram traduzidos para o espanhol, inglês e dinamarquês.

Campos de Queirós foi autor também de livros premiados como “Onde tem bruxa tem fada” (1979) e “Até passarinho passa” (2004) e diversas obras que estão na lista que o Governo brasileiro enviou às bibliotecas escolares para promover a leitura.

Fonte: Agência Estado

De Cláudia Santa Rosa – O escritor Bartolomeu Campos de Queirós deixa uma enorme lacuna no movimento literário brasileiro. Homem sensível, fazia das palavras poesia da melhor qualidade, encantando crianças e adultos. Esteve em Natal por muitas vezes e aqui deixou uma legião de amigos e admiradores. Destaco a 1ª edição do Seminário Potiguar Prazer em Ler, realizada em 2007, quando conversou com 600 educadores e a todos envolveu com a sua voz mansa e delicada e um texto gestado na alma, do modo como ele bem sabia fazer. Foram muitas as oportunidades em que ouvi Bartolomeu e somente para ser mais humana. A última vez foi durante o Salão do Livro, no Rio de Janeiro,  em junho de 2011, oportunidade em que ele autografou o seu “Vermelho Amargo” com o seguinte texto: “Para Cláudia, com meu abraço amigo, hoje e sempre”. Ficam agora o seu legado e a sua obra de presente para o Brasil e o mundo, hoje e sempre. Descanse, Bartolomeu!

Autógrafo para Cláudia Santa Rosa, em julho de 2011. Livro: Vermelho Amargo

Autógrafo para Cláudia Santa Rosa, em julho de 2011. Livro: Vermelho Amargo

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E o “Pacto da Educação”?

15 de Janeiro, 2012

A excelente edição de hoje do jornal O Poti destaca entrevista com a gestora da educação estadual do Rio Grande do Norte, professora Betânia Ramalho. Confira no seguinte link:  http://bit.ly/ySX2Gl

Considero as AMEAÇAS, diante da possibilidade de uma greve de professores, completamente desnecessárias ou pelo menos fora de hora. Corremos o risco de acirrarem os ânimos da categoria, que ainda sofre com a falta de implementação do Plano de Cargos, Carreira e Vencimentos. As promoções horizontal (por tempo de serviço) e vertical (títulos) continuam paradas. Servidores com título de doutor e mais de 20 anos de serviço prestados ao RN – como é o meu caso – percebem dois e meio salários mínimos. Aviltante!

Urge que se planeje a Educação com quem faz a escola pública do Estado e que se instale o diálogo permanente e respeitoso com os educadores, do modo como é prometido no calor das greves.

A sociedade ainda aguarda a proposta de “Pacto em favor da educação” presente no discurso de campanha da então candidata Rosalba Ciarlini, governadora do estado desde 1º de janeiro de 2010.