Encontro BlogProg

26 de Fevereiro, 2012

Somos todos convidados – sem custo de inscrição – a participar de um evento que discutirá políticas públicas, tema que deve ser de interesse de toda sociedade. Organizado por pessoas comoAdriana AmorimTiago Azevedo de Aguiar, o evento é vinculado ao movimento sem fins-lucrativos #BlogProg do Brasil, cuja segunda edição nacional, em Brasília, reuniu nomes como o do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro Paulo Bernardo (das Comunicações), além de blogueiros do campo progressista de todo o país, a exemplo dos jornalistas Paulo Henrique Amorim (TV Record) e Leandro Fortes (Carta Capital).

cartaz_a3_rnblogprog_gratuito1

Professor destaque!

15 de Fevereiro, 2012

Fonte: Portal do MEC, por Fátima Schenini

Terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Ensino-aprendizagem

Professor desenvolve projetos criativos em escola potiguar

Elementos da cultura nordestina são usados na escola de Ipanguaçu como formas alternativas de ensino e mostram aos alunos diferentes maneiras de estudar e analisar a língua portuguesa (foto: arquivo da Escola Municipal Adalberto Nobre de Siqueira) Os projetos criados por um professor de apenas 20 anos contribuíram para a premiação de sua escola em diferentes ocasiões. Estudante de letras, André Magri Ribeiro de Melo dá aulas de língua portuguesa e literatura na Escola Municipal Adalberto Nobre de Siqueira, em Ipanguaçu, município potiguar a 200 quilômetros de Natal. Na mesma instituição, localizada no assentamento Tabuleiro Alto, área rural do município, ele iniciou a carreira de professor, há quatro anos.

A primeira iniciativa premiada de André foi o projeto Literatura de Terror: uma Visita à Elegante Essência do Medo. A experiência conquistou o primeiro lugar do prêmio Construindo a Nação, edição 2010, no ensino fundamental. Em 2011, o projeto Identidade e Voz do Povo Nordestino na Literatura Regionalista proporcionou à escola o primeiro lugar na mesma premiação. Com esse projeto, a instituição também foi vencedora do Selo Escola Solidária (2011) e conquistou o segundo lugar no Prêmio Educador Nota 10, da Fundação Victor Civita (2011).

Na visão desse jovem educador, o uso de meios alternativos de ensino, como músicas, filmes e desenhos animados, mostra ao estudante diferentes formas de estudar e analisar a língua materna que não sejam apenas o livro didático e o quadro com giz. “Se o aluno sentir prazer em estar na sala de aula e na escola, renderá bem mais, e seu aprendizado sofrerá evolução significativa”, afirma André. Em todo os projetos que desenvolve, ele conta sempre com a parceria dos professores de língua inglesa e ensino da arte.

Seus planos para 2012 incluem uma grande viagem pela história da literatura brasileira com o projeto De Caminha a Lobato: A Evolução da Literatura Brasileira. “Os alunos serão apresentados aos diferentes momentos de construção da nossa literatura e conhecerão as influências recebidas, bem como as relações das obras escritas com os momentos históricos que nosso país vivia a cada surgimento de um novo olhar sobre a palavra”, revela.

A viagem pelas letras terá início com a leitura de uma versão infantil da Carta de Pero Vaz de Caminha (sexto e sétimo anos) e trechos do texto original (oitavo e nono). Terá continuidade com a passagem pelas escolas da literatura brasileira, como o Romantismo e o Modernismo, até chegar às obras de Monteiro Lobato. “Um batalhão de personagens, histórias e emoções pretende bater à porta da escola e das famílias de Tabuleiro Alto”, adianta André.

Ele assegura que os alunos lerão todas as obras indicadas, integralmente. Embora o acervo da biblioteca da escola seja pequeno, os estudantes contam com a ajuda da família para a aquisição de obras, com doações e visitas a bibliotecas municipais. “Entendemos que a leitura dos textos integrais garante maior compreensão do aluno e o insere mais ainda no mundo letrado e literário”, diz o professor. 


Os “gestores Kodak”…

10 de Fevereiro, 2012

Na edição de hoje do matutino Diário de Natal o professor Thiago Baptistella Cabral nos oferece um belo texto para reflexão. Compartilho com vocês.

Prof. Thiago Cabral, articulista do jornal Diário de Natal

Prof. Thiago Cabral, articulista do jornal Diário de Natal

Os “gestores Kodak” e a educação

Em janeiro deste ano, a empresa Eastman Kodak Company – aquela mesmo, a “Kodak” das máquinas fotográficas – anunciou o pedido de concordata. Antigamente, fotografia era coisa para poucos. As fotos eram produzidas através de complicados processos com a utilização de chapas de vidro, realizado apenas por especialistas. Foi então em meados de 1880 que o estadunidense George Eastman inventou a fotografia baseada no uso de filmes, e criou a empresa Kodak. Com o genial slogan “você aperta o botão, nós fazemos o resto”, a nova tecnologia aos poucos começou a se popularizar, até se tornar a maior empresa de fotografia do mundo. Sabe aquelas fotografias do homem pisando na lua? Pois é, foram tiradas com máquinas da Kodak, do tamanho de caixas de sapato, no ano de 1969. Seis anos depois, Steven Sasson, um engenheiro elétrico da empresa, criou a primeira máquina digital. Na época, a Kodak detinha 90% das vendas de filmes fotográficos e 85% das vendas de câmeras dosEstados Unidos. Para proteger o lucrativo negócio dos filmes, os gestores da empresa resolveram não levar adiante o projeto da máquina digital e, bem, o restante da história todos nós conhecemos.

Sobre o fracasso da Kodac, muito se especulou sobre a falta de inovação (desafio o leitor a encontrar uma única matéria que diga o contrário!), uma vez que a empresa decidiu apostar exclusivamente nos filmes fotográficos, deixando espaço aberto para outras companhias explorarem o novo mercado criado pelas câmeras digitais. Teria mesmo faltado inovação à Kodak? Voltarei a este ponto, mas antes vamos ver o que a educação tem a ver com tudo isso.

Enfrentamos problemas na qualidade da educação de base, mas na educação superior o problema não é diferente. Graduei-me em Ciências Biológicas por uma universidade pública de São Paulo, um dos melhores cursos do Brasil segundo o “Guia do Estudante” e, mesmo assim, posso dizer que aprendi mais sobre educação, ciências e biologia nestes três últimos anos, depois de graduado, doque nos cinco anos dentro da universidade. Infelizmente, não pareço ser exceção. Em conversas com colegas da minha e de outras universidades, de São Paulo ao Rio Grande do Norte, constatei que isso é muito comum. São muito poucos os professores e as disciplinas que acrescentam algo de fundamental em nossa formação. Acredito que aprenderia mais, e em menos tempo, se estivesse em um grupo de colegas com interesses em comum, acesso à biblioteca e à internet, e ajuda de professores para montar um roteiro de estudos. No mínimo, meu percurso teria sido menos enfadonho. Talvez, em um sistema de aprendizado neste formato eu deixasse de obter um diploma, algo importante para a inserção no mercado de trabalho – embora algumas empresas americanas estejam atualmente realizando contratações baseadas mais em informações disponíveis em mídias virtuais dos candidatos, como blogs ou conta no Twitter, do que no currículo dos mesmos. Esta é uma consequência da falência da díade diploma-conhecimento, ou como disse Augusto de Franco, “O diploma é o reconhecimento do conhecimento ensinado, não necessariamente aprendido”.

Voltando à pergunta em aberto do final do segundo parágrafo, acredito que a Kodak não faliu devido à falta de inovação, como muitos sustentam (afinal, a própria empresa foi responsável pela criação da máquina fotográfica digital), e sim devido ao que foi feito da criatividade e inovação que ali surgiram. Paralelos podem ser traçados com a educação. Apesar de contarmos com um sistema educacional obsoleto, existem exceções, que correspondem a equipes pedagógicas dedicadas a defender projetos educacionais inovadores (as nossas “máquinas fotográficas digitais”). Em muitos casos, estas equipes contam com apoio significativo por parte dos pais dos alunos da escola, e enfrentam uma série de dificuldades na tentativa de sobreviver em meio à burocracia dos modelos educacionais existentes. Para focar somente em exemplos potiguares, são referências de projetos educacionais inovadoras o Centro de Educação Integrada de Maracajaú,a Escola Estadual Hegésippo Reis e o projeto “Rede Potiguar de Escolas Leitoras”. Este último, talvez um dos mais ousados e importantes projetos educacionais do Rio Grande do Norte desde o “De pés no chão também se aprende a ler”, da época em que Djalma Maranhão era o prefeito de Natal e Moacyr de Góes o secretário de educação. Um projeto deste nível, com potencial para ser considerado referência internacional na formação de leitores (apenas “gestores Kodak” não saberiam o que fazer com um projeto desses nas mãos!), enfrenta problemas inadmissíveis, como ausência de professores nas salas de leitura e bibliotecas, realocação de professores readaptados nas salas de leitura e riscos de descontinuidade. Tais dificuldades poderiam ser facilmente evitadas. Como vimos, alguns profissionais da educação criam, inovam, e trilham novos caminhos para a educação. Se fossem estimulados, poderiam ser muitos mais.

Thiago Baptistella Cabral, biólogo e educador, escreve a convite do Instituto de Desenvolvimento da Educação (IDE), que colabora no Diário de Natal às sextas-feiras.

Estive no Alto…

8 de Fevereiro, 2012

Cláudia Santa Rosa, palestrando

Cláudia Santa Rosa, palestrando

Ontem realizei a palestra de abertura da 23ª Jornada Pedagógica do Alto do Rodrigues-RN. O tema: “Ampliando o tempo e o modo de aprender além da sala de aula”. Fiquei muito bem impressionada com o trabalho que tem sido realizado nos últimos três anos, tendo à frente a competente Secretária de Educação, Cultura e Esportes, professora Raquel Vianna.

Secretária Raquel Vianna, durante o seu pronunciamento de abertura

Secretária Raquel Vianna, durante o seu pronunciamento de abertura

Observei com atenção os resultados destacados pela Secretária e pelo prefeito Eider Medeiros. Ampliação do bom desempenho das crianças do 2º ano na Provinha Brasil, evasão zero, diminuição da repetência, implementação dos instrumentos de avaliação de desempenho dos profissionais, proposta curricular municipal…

Prefeito Eider Medeiros, de camisa clara, enquanto a mesa de abertura era composta

Prefeito Eider Medeiros, de camisa clara, enquanto a mesa de abertura era composta

O município tem apenas 12.000 habitantes, apenas 9 escolas municipais e uma boa renda dos royalties do petróleo, além dos recursos de praxe. Tem tudo para ser referência.

Secretária Raquel Vianna, Cláudia Santa Rosa, 1ª dama do município e Secretária de Assistência Social Jaqueline Medeiros e Heloisa, da equipe do Núcleo de Desenvolvimento Social (NDS)

Secretária Raquel Vianna, Cláudia Santa Rosa, 1ª dama do município e Secretária de Assistência Social Jaqueline Medeiros e Heloisa, da equipe do Núcleo de Desenvolvimento Social (NDS)

Público atento à palestra. Esperança!

Público atento à palestra. Esperança!

Sentido de estudar

7 de Fevereiro, 2012

Qual é o sentido de estudar? Artigo que publiquei na última edição impressa do jornal “Mundo Jovem” www.mundojovem.com.br .

Para visualizar a imagem ampliada, clique sobre a mesma com o botão direito, em seguida na opção abrir imagem em uma nova guia e um clique sobre a imagem na nova janela.

Digitalizar0001

Blogueiros Progressitas

6 de Fevereiro, 2012

A jornalista e blogueira Adriana Amorim e o blogueiro Tiago Azevedo de Aguiar, avisam:

Atenção, ativistas digitais! Estão abertas as INSCRIÇÕES para o I ENCONTRO DE BLOGUEIROS PROGRESSISTAS DA GRANDE NATAL.

Quem não é blogueiro também pode participar! Confira a MARAVILHOSA programação do evento, que ocorrerá de 2 a 4 de março de 2012, no IFRN Cidade Alta! ESPALHE!

Confira outras informações no site oficial:

http://rnblogprog.org/2012/02/04/i-encontro-de-blogueiros-progressistas-da-grande-natal/

O X da questão!

5 de Fevereiro, 2012

Em matéria deste domingo, 5 de fevereiro de 2012, assinada pelo repórter Paulo Nascimento, o jornal O Poti ( Clique em três links para ler a reportagem completa Aqui AquiAqui ) aborda o tema do custo da educação nas redes de ensino público e privado. Abaixo compartilho a parte do texto que tive o privilégio de colaborar enquanto fonte.


Gestão da rede pública é o X da questão

A grande estrutura envolvida no funcionamento da educação pública trava o andamento do ensino, em todo Brasil. A opinião é da educadora e presidente do Instituto de Desenvolvimento da Educação (IDE) Cláudia Santa Rosa, que defende uma descentralização, para oxigenar o ensino público. “Sofremos com uma má gestão. A verba da educação mantém uma grande estrutura. E o que passa de dinheiro por toda essa estrutura nem sempre termina em investimento”, explica ela. Uma melhor divisão entre as administrações, segundo ela, seria um caminho a ser seguido. “Defendo que a descentralização seja feita. Temos um bom exemplo, que é o ensino federal, em que a administração é local e as verbas vêm direto para instituição. O ensino público também pode copiar algumas coisas do setor privado, como o planejamento e a gestão, principalmente, pois faltam pontos como avaliação e monitoramento no setor público. Falta cobrança e penalização para quem não faz o serviço”, diz Cláudia, que também é coordenadora pedagógica de uma escola da rede pública.

A educadora classifica que o modelo de gestão das escolas está “matando” o ensino público. “Estamos assistindo uma morte gradativa das escolas. Estão subtraindo dos jovens o direito de conhecimento. Fico triste em ver que não conseguimos fazer funcionar o ensino público”, afirma. A lógica de apequenar o ensino público, para Cláudia, não vai fazê-lo evoluir. “Falta planejar, estar junto das escolas. Não podemos perder de vista a humanização do ensino. Vejo colegas que trabalham no público e no privado, mas fazem um trabalho diferente. São inúmeras as contradições dentro da rede pública que precisam ser corrigidas”, destaca a educadora. Ela ainda expõe a falta de cuidado com a alfabetização, que é tratado, segundo ela, com desprezo pelo poder público. “Na rede particular, os melhores e mais preparados professores são destacados para a alfabetização. O investimento e a cobrança são enormes para que a criança esteja lendo. Enquanto que na rede pública, qualquer professor entra na alfabetização para dar aula. Muitas vezes colocam até os mais novos” justifica.

Educação e Leitura

3 de Fevereiro, 2012

Deu na coluna Jornal de WM, por Woden Madruga, Tribuna do Norte, 03/02/2012

Má educação

Repercute na mídia a pesquisa da Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro feita com 4 mil estudantes do ensino médio daquele Estado. Ficou provado que o jovem carioca lê  pouco: 51% dos alunos entrevistados responderam que leram até três livros nos últimos anos; 11% leram apenas um e 14% não leram nenhum livro nos últimos cinco anos. A pesquisa, registrada na coluna de ontem, foi realizada com os alunos da rede pública. Imagino uma pesquisa como esta aplicada na rede do ensino público do Rio Grande do Norte. De Natal a Lagoa de Velhos passando por Mossoró e terreiros afins. Imagine o placar da goleada.

Para a diretora executiva do Movimento Todos Pela Educação, Priscila Cruz, ouvida pelo jornal o Globo, o resultado da pesquisa carioca é alarmante. No seu entendimento, a leitura do texto literário, no ensino médio, é muito importante nesta fase de sua formação:

- Como esses estudantes cumpriram essa etapa da vida acadêmica sem ler um livro sequer? A literatura faz parte do ensino médio. Esse tipo de aluno nunca vai conseguir passar no Enem, por exemplo. Somente por meio da leitura é que descobrimos as múltiplas faces da linguagem.

A professora Priscila diz mais:

- É preciso saber como o professor atua. Faz parte do trabalho dele incentivar a leitura. O custo dos livros não pode ser desculpa para isso. Hoje temos bibliotecas públicas e na web também é possível fazer download de várias obras. O hábito da leitura deve fazer parte da rotina dos estudantes.

E quando ficou sabendo que a pesquisa revelou que 78% dos estudantes entrevistados têm computador com acesso à internet, a diretora concluiu:

- Era muito melhor dar livros para esses jovens do que um computador. A internet deve ser usada como uma ferramenta de acesso para a leitura.

De Cláudia Santa Rosa: Concordo plenamente com o comentário do jornalista Woden Madruga. A pesquisa realizada no Estado do Rio de Janeiro se replicada em alguns estados, especialmente no RN, somente constataria um drama maior. A nossa luta, através do Instituto de Desenvolvimento da Educação (IDE), e de tantos outros para que o RN compreenda a importância de ter a sua política pública de promoção da leitura literária, não tem sido nada fácil. O jornalista não faz ideia! Trabalhamos com as escolas, justamente pelo potencial que elas têm de formar leitores desde a mais tenra idade. Estamos certas de que só teremos jovens do ensino médio apaixonados por livros se desde pequeninos forem “fisgados” por boas histórias e se essa paixão for regada ao longo dos anos. Não adianta ficarmos a lamentar se aos 15, 16, 17 anos eles não gostam de ler.Recomendo leitura do “Manifesto por um Rio Grande do Norte de Leitores” (Clique Aqui), cujo termo de adesão foi assinado pela governadora Rosalba Ciarlini, em 2010, durante a campanha. Também foi assinado por mais de 10.000 pessoas.

A escola de Rodrigues

3 de Fevereiro, 2012

Há quase dois anos guardo esse texto, esperando o momento oportuno para publicá-lo. Observo que ele continua atualíssimo, apesar do flagrante agravamento do tema central. Pois bem! Era começo da tarde do dia 15 de abril de 2010, Rodrigues, 16 anos, recebeu um golpe de faca, no abdômen, dentro de uma das escolas de Assu, interior do Estado do Rio Grande do Norte. O autor? Um colega de 15 anos. O motivo? O noticiário assim descreveu: “tão banal que não vale à pena nem citar, para evitar que outros queiram ou tentem fazer o mesmo”. Provavelmente faltou o que Nilson José Machado, professor da Universidade de São Paulo, afirma numa publicação do ano de 2003: “a eclosão da violência é a falência da palavra. A descrença na força da palavra induz o recurso à força física.”

Casos como o de Rodrigues e de proporções bem maiores, com dezenas de vítimas, infelizmente, têm sido cada vez mais comuns, tanto dentro das escolas quanto nos seus arredores. O que antes assistíamos, com perplexidade, pela televisão, geralmente casos de chacinas ocorridas em universidades de outros países, nos tempos atuais batem às nossas portas e nos impõem medo e vergonha. O que temos feito para além de nos indignarmos? O que esperamos que aconteça para tomarmos providências mais definitivas? Não custa lembrarmos que a violência tem raízes num quadro de ausência de limites, de abandono, situações de preconceitos explicitados, faltas, omissões, negligência, injustiças sociais ou até mesmo de doenças e perturbações mentais. Indagamos: O que poderia ser evitado?

No debate sobre a violência, nas instituições educacionais, verificamos não somente a falência da palavra, da força do diálogo para a negociação e o entendimento, mas também do respeito ou obediência que outrora era dispensado ao professor e à escola, enquanto espécies de “sagrados”. Por outro lado, constatamos fragilidades da família e uma flagrante falta de prioridade e competência do Estado brasileiro para educar, cuidar e proteger as suas crianças e jovens, oferecendo-lhes escola de qualidade, cultura, lazer, esporte, condições dignas de crescerem saudáveis, equilibrados emocionalmente e preparados, enquanto cidadãos e cidadãs, sujeitos de direito.

É inegável: nunca se discursou tanto em favor da Educação e da emergência de políticas públicas para a juventude. Em nome das crianças e dos jovens, governadores (as) e prefeitos (as), bem como parlamentares reivindicam recursos, negociam convênios, aqui e acolá, na mesma proporção que tais recursos quase sempre são mal geridos ou por vezes desviados para fins questionáveis. Ainda não é consensual que investir em Educação é pensar num projeto de nação sustentável; é vislumbrar desenvolvimento econômico, atenuando desigualdades sociais; é, finalmente, promover equidade.

Penso numa escola diferente para Rodrigues e o seu colega agressor. Temos essa dívida para com eles e as futuras gerações. Sonho com o poder público e toda população do rico e próspero Brasil, investindo num projeto educacional de impacto, que promova a educação integral e a verdadeira inclusão social de crianças e jovens do nosso país. Quase tudo já foi pensado, é dispensável reinventar a roda, basta priorizar, a exemplo do que fez Cingapura, país colonizado pela Inglaterra até meados do século passado, atualmente exemplo mundial de avanços em todas as áreas a partir dos investimentos em educação. Lee Sing Kong, diretor do Instituto Nacional de Educação de Cingapura, em entrevista para a última edição da revista Nova Escola, ensina: “acreditamos que não vamos errar se trabalharmos com habilidades fundamentais de linguagem e cálculo e, é claro, com uma base sólida de valores, como integridade, honestidade, esforço e desejo de aprender.” De tão óbvio parece não ser mesmo nenhuma novidade. A diferença é que em Cingapura a materialidade das ações há tempo ocupou o lugar dos discursos. Lá eles entenderam que o capital humano era a maior riqueza e que para terem escolas de qualidade era necessário investir em educadores de “altíssimo nível”.

No Brasil, a ausência de equidade social encontra lugar nas precariedades dos investimentos e de gestão da Educação, aliados ao medíocre modelo hegemônico de escola que já deu provas que não funciona. Pagamos caro pelo analfabetismo e analfabetismo funcional da população, pelas ineficiências dos sistemas de ensino, pela ignorância política da maioria. Até quando aceitaremos apaticamente?

Cláudia Santa Rosa, educadora, escreve a convite do Instituto de Desenvolvimento da Educação (IDE), que colabora no jornal Diário de Natal às sextas-feiras.

Disponível na edição impressa do Diário de Natal de hoje e on line pelo portal http://www.diariodenatal.com.br/2012/02/03/opiniao.php

Direito à leitura

2 de Fevereiro, 2012
Imagem1

Para além de indignar-se a profa. Carla Alves defende mediação de leitura


Nas últimas semanas a professora Carla Alves, da Escola Estadual Gal. Newton Braga de Faria, tem compartilhado questionamentos, reflexões e ações da sua comunidade escolar, objetivando qualificar o trabalho de formação de leitores naquela instituição. Espera-se que a iniciativa da escola inspire outras com dificuldades semelhantes. A seguir as postagens de Carla e na sequência o comentários de Cláudia Santa Rosa, coordenadora do projeto “Rede Potiguar de Escolas Leitoras”:

O que fazer, além de  indignar-se???!!!

De que adianta ter uma lei de incentivo à leitura literária nas escolas estaduais, se o governo do RN, através da SEEC e Dired, não a cumpre???? Mais uma “lei de enfeite”???

Os profissionais com a graduação exigida na Lei, formados e capacitados para executar os trabalhos de promoção da leitura literária nas bibliotecas e salas de leitura das escolas públicas estaduais do RN estão sendo impedidos de assumirem essa função pedagógica em nome de uma recomendação que diz que somente os readaptados podem ocupar lugar nas bibliotecas, mesmo que estes últimos nunca tenham manifestado interesse e/ou afinidade no trabalho com literatura, nem apresentado projetos na área em questão.

Em nome de uma organização burocrática que, na prática e pedagogicamente falando, não funciona no cotidiano escolar, quem perde nessa história???

Os alunos, claro!!! Sempre!!!

Isso é revoltante!!!

Por favor, aqueles que se interessam por uma escola pública de qualidade, leiam o texto da Lei Nº 9.169 de 15 de janeiro de 2009, na íntegra, através do link abaixo, e fiquem à vontade para tecer comentários a respeito.
http://www.gabinetecivil.rn.gov.br/acess/pdf/lo9.169.pdf

Ainda:

Bom dia, Cláudia Santa Rosa! Sexta-feira, dia 27, aqui no Colégio Alte. Newton Braga de Faria estaremos reunindo o Conselho Escolar para discutir a Lei 9.169, bem como decidir sobre o profissional que ficará lotado na biblioteca/sala de leitura, de acordo com os critérios descritos na Lei. Caso seja decidido por um profissional não readaptado, mas como já foi dito, dentro dos critérios da Lei, a ata da assembleia do Conselho, juntamente com a planilha de inclusão desse profissional na Biblioteca, serão enviadas para a Dired e Setor de Recursos Humanos da SEEC/RN, para que se cumpra. Acreditamos que esse é o caminho! Não é possível que a Secretaria de Educação continue a ignorar uma lei que só beneficia a comunidade escolar! Manteremos contato. Abraço.

Boa tarde, Cláudia! A reunião do Conselho Escolar do Colégio Newton Braga de Faria foi ontem, dia 30/01, às 14h. A Lei 9.169 foi lida e discutida! No final, todos o membros foram favoráveis a que eu ficasse lotada na biblioteca/sala de leitura, mesmo não sendo readaptada, mas com formação pedagógica (graduada em Letras com habilitação em Língua Portuguesa, Inglesa, e respectivas Literaturas)para tal função e histórico de formação na área de leitura e formação de leitores. portanto, totalmente acobertada pela Lei citada. A luta por esse direito acabou de começar!!! Vamos até as últimas instâncias para garantir a qualidade do funcionamento da biblioteca/Sala de leitura!!! A comunidade escolar do Newton Braga de Faria merece!Abraços.

De Cláudia Santa Rosa: De parabéns a comunidade da Escola Estadual Gal Newton Braga. Esperamos que inspire outras instituições. A sala de leitura e/ou biblioteca não é mais e nem menos importante do que as salas de aula. O trabalho desenvolvido nos espaços movidos por projetos de formação de leitores, é completamente de docência e requer um professor qualificado, leitor, vivo, dinâmico e pronto para trabalhar com o público infantil, juvenil e adulto. O Rio Grande do Norte dispõe de condições para não retardar os avanços na sua Educação. Importante não esquecermos que a governadora Rosalba Ciarlini assinou Termo de Adesão ao “Manifesto por um RN de Leitores” e o texto das orelhas do livro “A leitura literária na escola pública potiguar”.

Fonte: www.escolasleitoras.org.br